Resenha: Frank (2014)

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Frank (2014) é um filme independente dirigido por Lenny Abrahamson sobre um músico medíocre que um dia tem a chance de fazer parte da banda local. Jon Burroughs (Domhnall Gleeson) sai da sua cidade em uma vida estabilizada, para viver com o excêntrico grupo encabeçado por Frank (Michael Fassbender), um homem que usa uma cabeça de madeira para esconder o rosto.

O filme foca nas relações de seus personagens, com Frank sendo um gênio misterioso, Don é um produtor que cultua Frank, Clara é uma espécie de mãe para todos ao mesmo tempo que odeia Jon e Baraque e Dona, bem, estão ali sem muito a acrescentar. Todas essas relações se conectam pelo amor à música e a admiração que sentem pelo Frank.

Como um dos temas principais do filme é a música, o filme consegue abordar com muito humor a produção musical de uma banda. O filme sempre relaciona Arte x Sucesso, como se a relação de uma sufocasse a outra. Essas relações acabam por vezes de sair do âmbito artístico e indo pro pessoal, o que pode gerar uma pergunta. Um músico ainda é um artista ao sufocar sua visão pessoal por sucesso?

A lente de Lenny Abrahamson nos diálogos prefere enquadrar os personagens e suas interações, enquanto nas músicas (Excelente trilha de Stephen Rennicks) prefere que sua câmera flutue pelo ambiente, como se ganhasse um clima onírico. Essas alterações são sempre naturais.

Entre as relações existentes, as que mais marcam são a de Don e Jon, ambos parecem ser pessoas frustradas, além da admiração sobre Frank. Admiração essa, que muitas vezes parece se confundir com o desejo de se tornar aquela pessoa, levando a mais frustração. Outra relação marcante é a de Jon e Frank. Frank apesar de todo mistério que carrega, é um personagem sempre amável, que sempre busca apoiar Jon, suas interações sempre conversam muito mais com o público do que com eles em si na verdade, mesmo que exista muito carinho contido nelas.

A caracterização é outro ponto importante nesse filme, cada personagem passa muito bem sobre sua personalidade somente com suas roupas. Infelizmente figurino sempre é um ponto desleixado nas maiorias dos filmes, mas aqui ele é um dos principais pontos de personalidade dos personagens, ao mesmo tempo de contraponto quando nos aprofundamos melhor no interior de cada um. O uso da caricatura vai além de um adereço visual.

Um dos debates importantes que o filme carrega é sobre transtornos mentais, muitos dos personagens inclusive se conheceram em uma clínica psiquiatra. Esse tema busca debater arte como terapia. Não é um debate que se concentra no âmbito clínico de fato, mas de expressão, como se a música ali estivesse libertando ou dando voz a eles, como o ato de tocar por si só fosse a única coisa que importa para a banda.

Frank é um desses filmes que a gente vê e sente um certo calor no peito, mesmo que muitos dos seus temas e passagens não sejam necessariamente confortáveis. Sua sensibilidade vai além do que nos dito, mas também no que nos é mostrado. O filme todo esbanja carinho, seja nas canções, direção, fotografia, atuações, etc… é claramente feito com muita atenção. Não é perfeito, mas é bom o suficiente pra merecer ganhar uma chance.

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