Resenha: Noite Passada em Soho é estética sem substância.

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Noite Passada em Soho é um dos filmes mais lindos esteticamente de 2021, além de já trazer a famosa edição que só Edgar Wright consegue fazer em seus filmes, mas ao contrário de Baby Driver, aqui ela se faz muito mais orgânica, mas não menos fantástica, o que é uma pena, uma vez que o filme tente se sustentar somente em sua qualidade técnica.

O filme conta a história de Eloise (Thomasin McKenzie), uma jovem do interior da Inglaterra que se muda para Soho, onde inicia sua faculdade. Nesse meio tempo ela se muda para um apartamento e lá ela volta todas as noites para a década de sessenta, onde encarna a jovem Sandy (Anya Taylor-Joy). A primeira vez que vemos, junto de Eloise, os anos sessenta em seu esplendor, tudo ganha uma aura mágica, seja na direção de arte, nos figurinos ou na própria câmera que captura tudo.

A Direção e Montagem nos primeiros trinta minutos são perfeitos, seja pela forma como Wright consegue brincar com a identidade de Eloise/Sandy que dividem o mesmo corpo/espaço, como brilhantemente utiliza os reflexos no vidro que separa as duas personagens sem que Sandy tenha conhecimento, ou das mudanças constantes das garotas em uma dança com o charmoso e perigoso Jack (Matt Smith).

O filme se propõe, além de ser lindo, debater assuntos como machismo, prostituição e nostalgia por tempos passados, que muitas vezes idealizamos como melhores épocas que o agora, mas eram épocas muito mais opressoras. Infelizmente os debates ou estão somente na superfície, ou acabam sendo apagados pela fetichização estética. Não é raro ver momentos que deveriam ser assustadores para a protagonista, acabarem por ser abafados por uma beleza cheia de neons e vivacidade que não condiz com a cena.

Entretanto, não existe maior problema que a falta de um desenvolvimento para sua protagonista e uma falta de personalidade para os personagens restantes. Um filme que critica machismo, e faz de todas personagens femininas maquiavélicas, inclusive contradizendo temas que ele busca “apoiar”, além de criar um personagem totalmente subserviente sem motivo algum. Me parece muito incoerente com um filme que tenta a todo momento desenvolver a sua protagonista e suas relações com o mundo.

Edgar parece muito mais decidido a manifestar seu amor e inspirações à época, que de fato a conceber um filme que queira dialogar algo. Até nisso ele acaba perdendo a mão, pois há momentos de imagens convulsionando na tela sem parar, onde o único significado é a própria imagem. Se elas estão ali para fazer a protagonista tomar uma atitude que poderia ter alguma consequência, isso é esquecido na próxima cena.

Noite Passada em Soho é um filme problemático, não necessariamente pelo descuido de abordar temas sociais, mas por acreditar que somente suas imagens e referências o sustentam, coisa que Baby Driver o faz muito melhor por ser um filme muito mais ciente no que quer ser, ao contrário de seu irmão mais novo autoindulgente. O filme vale ser visto ainda sim, até por ser ,junto de Titane, um dos filmes mais divisivos de 2021.

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