Sid e Nancy: O Amor Mata

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Sid e Nancy: O Amor Mata (1986) é o clássico filme sobre o relacionamento conturbado de, bem, Sid e Nancy. Dirigido por Alex Cox e estrelado por Gary Oldman como Sid e Chloe Webb como Nancy, o filme abre com Sid sendo detido pelo assassinato de Nancy e quando ele vai dar seu depoimento, o filme pula para momento antes de eles se conhecerem.

O filme está muito mais preocupado com estilo do que de fato com a história. Há passagens bastante duras sobre vício e relacionamento abusivo, mas em seguida cenas romantizadas sobrepõem o que havia sido mostrado antes. Mesmo nos momentos abusivos e nos problemas com drogas, o filme lança cenas super românticas e estilizadas dos dois, reconhecendo que há problemas, mas nunca condenando o relacionamento.

Estilo é algo que não falta nesse filme, seja com a cena punk sendo retratada, seja pelos acontecimentos absurdos que acontecem de fundo nas cenas. Tudo é uma bagunça em tela e sujo demais, chega a ser charmoso pela sua feiura visual e ele parece ter consciência desse fato.

Gary Oldman não só brilha no papel de Sid, mas como consegue realmente parecer com o jovem Vicious, Chloe como Nancy também é idêntica, mas infelizmente sua atuação é muito exagerada, não há nenhuma sutileza. Ainda sim existe uma química com os atores, principalmente nos seus momentos mais intimistas, é como se eles fossem ligados por uma falta de perspectiva.

O relacionamento de Sid com os Sex Pistols é mostrado, desde a amizade com Johnny até o rompimento com a banda, mas não é o foco do filme. A banda e Sid tem seus momentos, inclusive os shows, mostrando a persona de Sid no palco e também seus problemas com a banda, seja pelo abuso de drogas ou pela sua falta de responsabilidade.

Nancy sempre está em tela com Sid, mas Chloe infelizmente tem uma atuação péssima, e o roteiro quase sempre mostra ela como uma doida, como se a culpa fosse dela do Sid ser quem é, como se ele fosse uma vítima. As agressões dele quase nunca tem peso, inclusive no assassinato. Mesmo que tu sinta a culpa dele, o filme consegue romantizar o relacionamento.

Roger Deakins assina a fotografia do filme, e é interessante ver como a carreira dele evoluiu com o tempo, aqui nesse filme ainda não se vê a assinatura dele, mas ainda sim tem seus momentos. A edição de David Martin é funcional, não é muito inspirada mas serve para o propósito de dar continuidade às cenas.

Como um filme sobre o relacionamento, ele tem um olhar maniqueísta sobre as atitudes dos personagens, principalmente em passar pano pra maioria das atitudes de Sid e quase sempre jogar a culpa em Nancy. Ainda consegue capturar momentos intimistas de fraquezas e também os absurdos da cena punk de sua época, mas peca ao romantizar um relacionamento tão abusivo que terminou de forma trágica.

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